
Dias 19 a 21 · 13 a 15 de abril – 2026
Agora que o sistema buscava os números sozinho, um novo medo apareceu: e se ele trouxer o número errado — e eu confiar nele? Automatizar sem conferir é como dirigir de olhos fechados só porque o carro é automático. Esses três dias foram sobre uma palavra: confiança.
Ataquei três fantasmas.
O primeiro foi o backup. Todos os dados de venda, de todas as lojas, viviam num lugar só. E eu vinha dormindo sem nenhuma cópia de segurança — um erro bobo e sumiria tudo. Coloquei um backup automático de madrugada, guardando as últimas versões. Simples, invisível, e o tipo de coisa de que você só lembra no dia da tragédia — melhor ter antes.
O segundo foi o pior de todos: a venda contada duas vezes. Quando o sistema busca os dados sozinho e por acaso pega o mesmo pedido de novo, o faturamento incha sem ninguém perceber — e número de venda errado é veneno pra quem decide pelo número. Ensinei o sistema a reconhecer o que já tinha entrado e ignorar a repetição, na hora da importação. Chega de fantasma.
O terceiro foi pôr um detetive dentro do próprio sistema: todo dia, num horário fixo, ele confere se as importações realmente aconteceram e se bate tudo. Se faltou alguma coisa, ele avisa. É o sistema vigiando o sistema — porque o pior cego é o que não sabe que está cego.
Percebi agora que essa frase: “sistema vigiando o sistema” virou praticamente um mantra de todo o projeto depois desse dia.
A lição desses dias: número bonito não vale nada se você não confia nele. Um sistema que decide o rumo do seu negócio precisa ser, antes de tudo, honesto — e honestidade, em software, se chama backup, conferência e o cuidado de não contar a mesma coisa duas vezes. O trabalho invisível que ninguém elogia é justamente o que deixa você dormir tranquilo.
No próximo capítulo, o sistema dá um salto: sai de “mostrar quanto vendi” e começa a entrar na operação de verdade da loja — o fechamento do caixa no fim do dia.
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